quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O Vento faz a neve cair como chuva
Da janela observo encher a terra de vazio
Meu coração também frio
Quase não encontra forças para bater.
Nesse deserto branco e sombrio, onde a solidão impera.
Tudo passa e a vida se esvai
Tudo um dia tem fim
Aí pobre de mim;
Criatura funesta, de alma sem paixão
Tudo o que espera é o derradeiro fim
tudo o que deseja não pode ter.
De joelhos implora o fim dessa agonia.
Que um dia possa se libertar da prisão.
(17-07-2010)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Campanha Eu me fodo pelo voto dos outros

Desde criança minha mãe me ensinou a não conversar com estranhos, a olhar para os dois lados para atravessar, e não confiar em promessas de políticos.
Desde que me entendo por gente, eu acompanho a campanha eleitoral, é como se assistíssemos uma comédia, tem cada candidatos que é brincadeira. 
Nessa minha pequena existência, já vi de tudo, nunca vou me esquecer de um candidato a vereador de minha minúscula cidade que me disse quando eu tinha uns 12 anos que eu não precisava ouvir suas propostas porque eu não entendia de politica, isso me marcou muito, por que nessa idade eu já tinha um cérebro pensante não era ignorante que esse idiota pensava se eu quisesse poderia influenciar o voto da família sim. Mais tarde quando estava com 17 um outro candidato foi varias vezes em minha casa me procurar para tirar o título de eleitor, ele nunca me encontrou e mesmo que isso acontecesse ele cairia do cavalo, eu já havia tomado minha decisão de só votar a partir de meus 18 anos naquela época a maioridade era com 21 se eu não respondia por nada e não podia ter nada no meu nome porque eu poderia então decidir que governaria minha cidade, estado e pais eu só seria um numero estatístico.
Hoje voto por que é obrigatório, mas se não fosse votaria do mesmo jeito, o que eu não consigo acreditar é que até hoje pessoas que são instruídas ainda são enganadas por balelas de políticos sem noção.
Porra eu me preocupo em verificar que melhor governará, bem ou melhor que será menos pior, faço a maior força para ver quem é capacitado e qualificado, daí vem todo mundo e vota em um Zé ruela que só quer um salário gordo no fim do mês e não liga para os problemas do governo. Eu estou cansada de só me foder pelo voto dos outros.Pensem antes de fazer do meu futuro uma cagada.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Eu não sei dançar (Manuel Bandeira)

Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria...
Abaixo Amiel!
Eu nunca lerei o diário de Maria Bashkirtseff.

Sim, já perdi pai, mãe, irmãos.
Perdi a saúde também.
É por isso que sinto como ninguém o ritmo do jazz-band.

Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu tomo alegria!
Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda.

Mistura muito excelente de chás...
________________________Esta foi açafata...
- Não, foi arrumadeira.
E está dançando com o ex-prefeito municipal:
tão Brasil!

De fato este salão de sangues misturados parece o Brasil...
Há até a fração incipiente amarela
na figura de um japonês.
O japonês também dança maxixe:
acugelê banzai!

A filha do usineiro de Campos
olha com repugnância
para a crioula imoral,
no entanto o que faz a indecência da outra
é dengue nos olhos maravilhosos da moça.
E aquele cair de ombros...
Mas ela não sabe...
Tão Brasil!

Ninguém se lembra de política...
Nem dos oito mil quilômetros de costa...
O algodão do Seridó é o melhor do mundo?... Que me importa?
Não há malária nem moléstia de Chagas nem ancilóstomos.
A sereia sibila e o ganzá do jazz-band batuca.
Eu tomo alegria!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Eita vida besta, meu Deus.

Começo pois homenageando meu poeta favorito, Drummond. Mineiro com eu, farmaceutico com eu seria, e apaixonado pelas coisas simples da vida.
Cidadezinha Qualquer
Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar, amor, cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar...as janelas olham.
Eita vida besta de meus Deus.
Coisinha estranha, quando era adolescente la pelos idos de 95, assisti um filme que me chamou atenção, não só pelo fato que gosto muito de ter como titulo meu nome, mais por ter uma heroína muito bela(*mais tarde explico este fato), assisti o filme nº1 que passou a tarde, mas as sequências eram impróprias para menores e passaram na madrugada, tentei ver mais meu sono não deixou.
Nunca consegui esquecer, sabem aquelas cenas que vão e veem na memória, foi assim. O tempo passou...nunca procurei nada a respeito.
Neste ano ganhei a coleção completinha com todos os livros dessa história, ...mas qual história ? Calma o bom escritor deixa as pessoas curiosas.
"Angélica a Marquesa dos Anjos", foi engraçado não sabia que era um romance que tinha virado filme, li todos em um mês adorei cada parte da história, no ultimo livro da coleção achei o o final xoxo, foi como se a história não tivesse acabado, não sei se os autores tinham a intenção de publicar mais um ou não mais isso não vem ao caso o fato é outro.
Há uns três ou quatro dias atrás tava fuçando pela comus do orkut e achei uma comunidade sobre esse romance, lógico que quiz participar, mais era moderada, no outro dia no marcador de visitas tinha um nome estranho como de praxe fui espiar que era, ninguém conhecido mais tinha uma comu em comum, pensei deve ser isso, mas dai vi que não foi aceita na comu do romance, achei que eu não tinha apertado participar, fui lá de novo, fiz isso umas 4 ou sei lá 5 vezes durante esses dias, hj vi que aquele visitante era o moderador da comu. Fui no perfil dele para ver se o motivo podia ser religioso, pois nós que fazemos parte do rock'n'roll, somos muito mal visto por pessoas muito religiosas, mas não parece me que´o moderador é roqueiro também, leu os mesmos livro que eu... que estranho pensei, dai vi que tinha um "Odeio Paulo Coelho", resposta para minha não aceitação(esse verbo existe? sei lá já foi), no meu perfil tem leio do Paulo Coelho, ora vejam, não é por que você não comprende o que os outros não compredem ou acha que os ensinamentos de um "bruxo" valem menos que dos renomados filosofos deve julgar as pessoas.
Ainda mais que se julga 'intelectual', não deve discriminar os outros, hipócratas.
Por isso viva Drummond, e eita vida besta de meu Deus.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Lembranças....

O Drama de Angelica

de Tangos e Tragédias


-Primeiro Ato-
Ouve meu cântico
Quase sem ritmo
Que a voz de um tísico
Magro esquelético...

Poesia épica
Em forma esdrúxula
Feita sem métrica
Com rima rápida...

Amei Angélica
Mulher anêmica
De cores pálidas
E gestos tímidos...

Era maligna
E tinha ímpetos
De fazer cócegas
No meu esôfago...

Em noite frígida
Fomos ao Lírico
Ouvir o músico
E Pianista célebre...

Soprava o zéfiro
Ventinho úmido
Então Angélica
Ficou asmática...

-Segundo Ato-
Fomos ao médico
De muita clínica
Com muita prática
E preço módico...

Depois do inquérito
Descobre o clínico
O mal atávico
Mal sifilítico...

Mandou-me célere
Comprar noz vômica
E ácido cítrico
Para o seu fígado...

O farmacêutico
Mocinho estúpido
Errou na fórmula
Fez despropósito...

Não tendo escrúpulo
Deu-me sem rótulo
Ácido fênico
E ácido prússico...

Corri mui lépido
Mais de um quilômetro
Num bonde elétrico
De força múltipla...

-Terceiro Ato-
O dia cálido
Deixou-me tépido
Achei Angélica
Já toda trêmula...

A terapêutica
Dose alopática
Lhe dei em xícara
De ferro ágate...

Tomou num folego
Triste e bucólica
Esta estrambólica
Droga fatídica...

Caiu no esôfago
Deixou-a lívida
Dando-lhe cólica
E morte trágica...

O pai de Angélica
Chefe do tráfego
Homem carnívoro
Ficou perplexo...

Por ser estrábico
Usava óculos:
Um vidro côncavo
O outro convexo...

-Quarta e Última Parte-
Morreu Angélica
De um modo lúgubre
Moléstia crônica
Levou-a ao túmulo...

Foi feita a autópsia
Todos os médicos
Foram unânimes
No diagnóstico...

Fiz-lhe um sarcófago
Assaz artístico
Todo de mármore
Da cor do ébano...

E sobre o túmulo
Uma estatística
Coisa metódica
Como Os Lusíadas...

E numa lápide
Paralelepípedo
Pus esse dístico
Terno e simbólico:
"Cá jas Angélica
Moça hiperbólica
Beleza Helênica
Morreu de cólica!"

Hoje me lembrei desta música,que minha
Vó cantava pra mim.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Necrofilia

Seus olhos tristes, fazem me chorar,
Suas boca calada, quero eu beijar,
Dá-me o gozo, o prazer, o torpor.

Oh! corpo mórbido jaze sem vida,
Descestes a tumba gélida e fria,
Como queria contigo estar.

Acariciar lhe a face pálida,
Roubar lhe o beijo doce,
Penetrar lhe a alma.

Queria poder ficar eternamente,
Entregue a esta dança fúnebre,
Onde dois corpos rígidos se entrelaçam.

Onde o som soturno devora a alma,
Dá me oh, lânguido coração,
Seu último suspiro de prazer.

Faça me hurrar no deleite,
Desse frio e triste pesar,
Entregue me, seu espírito.

Deixe me tocar lhe pela última vez
A face, o peito, a boca e o sexo,
tomar lhe o derradeiro sentido.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Ode ao Corvo

Senhor corvo comeste meu coração,
Tu que sobrevoou com suas negras asas,
A carcaça pútrida do ser decomposto.

Senhor corvo leves agora esta angústia,
Vieste buscar o ser puro, para levá-lo ao outro lado,
Tirando um pouco da vida que restava em nossos corações.

Senhor corvo trousseste a escuridão em nossas vidas,
Deixastes trevas em nossas almas,
Colocou tristeza em nosso caminho.

Senhor corvo mensageiro da morte,
Levou nos o mais sagrado, o amigo companheiro,
Levou nos um pedaço de nós.

Senhor corvo quando voltardes beijando nos a lânguida face,
Leve nos sem demora a morada derradeira,
Coma nos a carne, mais deixe a alma intacta.